Em 1986, eu me direcionava todo feliz até a 1ª Aula de Alfabetização. Equipado com minha merendeira recheada de biscoitos cream cracker e do meu par de tênis kichute, havia esperado pela minha vida inteira por aquele momento –  enfim iria aprender a ler e a escrever.

Tudo isso seria incrível, afinal, eu poderia assim acompanhar sozinho às minhas Histórias em Quadrinhos favoritas.

No entanto, logo na 1ª semana de aula, pude perceber que nem tudo seria milhões de maravilhas, tendo em vista que criei conflitos e rivalidades com a turma de meninos mais fortões da Escola, bem como, com os mais populares.

Passei a me sentar no canto da sala de aula, quietinho; sempre concentrado nos meus Livros.

Comecei a desenhar histórias em quadrinhos de personagens criados, tais como “Ambivalente” e “Dog Man”; este, um homem que tinha sido mordido por um cachorro e ganhado super poderes.

Vendia  as minhas revistas desenhadas à mão, com histórias cheias de dramaturgia, para as vizinhas mais caridosas. Eram também as mais idosas, e aceitavam torrar seus dinheiros com aqueles gibis por acreditarem que aquele pivete era recheado de criatividade.

Passei também a escrever um jornalzinho sobre notícias do meu prédio, com gravuras, reclamações sobre a rede de esgoto e com a seção de fofocas, que elegia o vizinho mais chato. E a produzir um Programa de TV com uma filmadora trazida do Paraguai pelos meus avós. Naquele tempo, as filmadoras eram em fitas VHS, o que me trazia a sensação de estar trabalhando na Rede Globo: 

Eu tinha 08 anos. Contudo, já tinha idéia de que meus programas de tv não eram tão divertidos como passear de conversível com o cara mais rico da cidade, e que revistas em quadrinhos só faziam a cabeça de senhoras doces, mas não das meninas mais bonitas da escola. Estas, só se apaixonavam pelos melhores jogadores de futebol.

 Portanto, sem deixar minhas revistas de lado, passei a treinar muito, e entrei para o time de  futebol do Colégio. Só que eu era muito desastrado, e o máximo que consegui foram 2 minutinhos em quadra contra um time de Juiz de Fora. 

Não demorei muito pra perceber que eu era muito melhor com o cérebro do que com as mãos ou os pés. Com o decorrer dos anos, tive de assumir que eu não fazia parte daquele grupo de esportistas e populares. E que, sim: eu era um dos Nerds.

E tinha noção de que, naquele momento, os mais populares da sala não seriam os meninos mais criativos. No entanto, a “nossa hora” iria chegar…

Portanto, passei conscientemente a investir nisso cada vez mais…

Foi aí que comecei a perceber que fazer parte do grupo dos nerds poderia não ser popular, mas até que podia ser bem divertido!!

O tempo passou, eu amadureci. No entanto, não deixei de gostar de ler e escrever, nem tampouco de histórias em quadrinhos do Batman.

Minha criatividade de infância combinada com minha maturidade atingida, me trouxeram o anseio pelo Direito e pela Justiça de um País bem melhor de se viver.

Transferi todo o ideal de Justiça dos heróis de quadrinhos para a nossa realidade de hoje em dia, e faço questão de lutar contras os políticos corruptos, em favor do melhor pro Cidadão, pelo exercício da Cidadania.

Recentemente, com a tomada das Favelas pelo Estado, comecei a perceber uma coisa interessante que está acontecendo no Brasil…

Como afirmei no post anterior, as pessoas estão começando a procurar  escolher o lado certo de ficar; não o lado mais popular, por si só.

 Um exemplo disto, além do que aconteceu no Rio, é o caso do Wikileaks.

WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. O site foi construído com base em vários pacotes de software.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikileaks

Em abril de 2010, o site publicou um vídeo mostrando um helicóptero Apache dos Estados Unidos, no contexto da ocupação do Iraque, matando pelo menos 12 pessoas – dentre as quais dois jornalistas da agência de notícias Reuters – durante um ataque a Bagdá, em 2007.

Outro documento polêmico mostrado pelo site é a cópia de um manual de instruções para tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba.

No mês de outubro 2010, em articulação com grandes organizações da mídia, a WikiLeaks publicou um pacote com quase 400.000 documentos secretos, denominado Iraq War Logs, reportando torturas de prisioneiros e ataques a civis pelos norte-americanos e seus aliados, na Guerra do Iraque.

Em 28 de novembro de 2010, publicou uma série dde telegramas secretos de embaixadas e do governo dos Estados Unidos.

Em 1º de demzembro de 2010,  o WikiLeaks anunciou que aAmazon o expulsara dos seus servidores, onde estava hospedado desde que começaram os ataques contra seu hospedeiro sueco, Bahnhof, em 28 de novembro, o que tornou o acesso instável. Quando, no dia 1º, os servidores da Amazon pararam de responder aos pedidos de acesso, a WikiLeaks ficou indisponível durante várias horas. O senador americano Joe Leiberman, que também é chefe do Comitê de Segurança Interna do Senado dos EUA, informou que a decisão da Amazon atendia a pedidos de membros do congresso amercinano. Segundo o senador, “a decisão da companhia Amazon de cortar a WikiLeaks agora é a decisão correta e deveria estabelecer o padrão para as demais”, referindo-se aos demais servidores onde a WikiLeaks tem documentos armazenados.

Discussões sobre uma suposta censura do WikiLeaks por parte do Twitter começaram a surgir por volta de 5 de dezembro de 2010, motivadas pela inexistência de Trend Topics relacionados ao WikiLeaks recentemente, quando era claro que era um assunto muito comentado na semana.Já o Twitter, afirmou que não houve qualquer ação de  censura ou apologia ao WikiLeaks por parte deles, explicando ainda como funciona o algoritmo usado para determinar se um assunto é uma tendência.

Dias depois, vários Grupos políticos passaram a perseguir o Grupo dos Wikileaks, bem como o seu criador, proporcionando a conotação de que eles estariam infringindo normas internacionais e leis norte americanas.

Sou a favor do Wikileaks.

No entanto, não acredito que a campanha contra este Grupo esteja ferindo a Democracia e a liberdade de expressão.

 
Ambos os Grupos (os contra e os a favor), estão apenas construindo um Movimento de idéias e opiniões de um ponto de vista. E o melhor da Democracia, é que sempre existem dois lados pra tudo. O importante, em situações como esta, é que sempre saibamos em que lado estamos. E desta vez, estou ao lado de Julian Assange.

Todos nós sabemos, que o que ele fez não foi errado. Errado é o Poder Público se utilizar de forças secretas (que também deveriam ser PÚBLICAS) para coagir e interferir na vida de civis inocentes. 

Os Wilileaks estão apenas mexendo com os Grupos dos mais poderosos, o que naturalmente ocasionou este reboliço todo.

Vejo esta realidade como uma sala de aula de 1º Grau:

 O Aluno “espertão”, o mais popular, começa a fazer uma piada contra o mais “Nerd” e impopular. Aquela piada vai ganhando força, e todos os outros alunos passam a fazer a mesma piada, porque ela partiu do cara mais popular do Colégio.
Assim, todo mundo ganha um pouquinho de “popularidade”, e vai se tornando um pouquinho mais popular. Enquanto isso, o “Nerd” é cada vez mais humilhado; mas ninguém liga pra isso.

 Imaginemos o caso ao contrário – Um “Nerd” faz uma piada contra o cara mais “popular”. Por melhor e mais engraçada que seja aquela piada, praticamente ninguém vai passando isto adiante, justamente porque ela partiu de um nerd. Repetir aquela piada seria se tornar um pouquinho mais nerd. Ninguém faz isso, e o “popular” continua “inatingível”.

 Agora vejamos isso no caso do Wilileaks.

Wikileaks é formado por um Grupo de “nerds” que estão mexendo com os mais poderosos. Os mais poderosos é que estão sendo satirizados.

Ocorre que, apesar desta “piada” ter partido de um Grupo de nerds, ela ganhou a mídia mundial. Então todo mundo quer passar ela adiante, usar um pouquinho disso pra si, porque assim, ela também fará parte deste “movimento popular” que está acontecendo. E o Nerd se tornou o popular!

 E olhe, Querido Leitor, que esta inversão de valores nem é tão complexa assim. É bem simples e coerente com a evolução e maturidade do Cidadão:

Hoje, quem tem mais conhecimento, mais criatividade, passou a ser mais admirado do que aquele “mais popular”. E… “Bum!”…Aconteceu.

Realmente algo de muito importante está acontecendo no Brasil.
Algo que não sei explicar ainda exatamente o que é, mas as pessoas estão começando a perceber que também é legal ficar do lado do que é CERTO, e que isto vale mais a pena. Estão percebendo que ficar do lado de quem faz o bem vale muito mais a pena do que ficar ao lado daquele que fura a fila, rouba pirulito de criancinhas, passa a perna no outro, e por estes motivos frívolos estava sendo mais popular.

 E apesar do bem (o lado certo, careta) geralmente ser o lado nerd, o mais popular já não está mais sendo furar fila no banco, dar troco errado no caixa, ou até mesmo fumar maconha…

O Mais popular é exercer a sua Cidadania!!

 

É interessante esta questão, pois até mesmo os wikileaks, em razão de tanta popularidade e poder nas mãos, com um pouco de imprudência, podem se tornar os agentes do que não é do bem.  

Aliás, apoiado na História do SpiderMan, costumo dizer que com ”grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. E quando grandes poderes como os do Wikileaks estão concentrados nas mãos de seres humanos, acredito que estes homens devem ser tão triplamente responsáveis do que todo o resto da sociedade.

 

Assisti outro dia ao filme “A Rede Social”.

O que está ocorrendo com o Wikileaks, pode de certa forma ser comparado ao que aconteceu com o criador do Facebook

A “Rede Social” conta a história do surgimento do popular site Facebook, desde sua fundação até chegar a 1 milhão de membros. O filme vem sendo bem recebido pela crítica e pelas platéias.

Em uma noite de outono, em 2003, graduado em Harvard e gênio em programação de computadores, Mark Zuckerberg se senta em seu computador e acaloradamente começa a trabalhar em uma nova idéia. No furor dos blogs e programação, oi que começa em seu quarto logo se torna uma rede social global e uma revolução na comunicação.

Em apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Mark Zuckerberg é o mais jovem bilionário da história… Mas para este empresário, assim como para os Wikileaks, o sucesso traz complicações pessoais e legais.  

Um garoto genial e tímido, uma espécie de anti-herói em busca de aceitação social, um típico nerd passa a ser o mais jovem bilionário do Mundo através de sua criatividade.

Ter acesso aos bastidores da criação de uma rede social virtual não pareceria, até a década passada,  nada atraente para se tornar um longa metragem, quanto mais um filme de tamanho sucesso como este. No entanto, “A rede social” é um filme espetacular não por ser apenas do Facebook mas por abordar questões pertinentes como o bullying virtual ou a falsa sensação de poder que a internet pode criar. Isso sem falar na questão dos direitos autorais em tempos de web colaborativa e até mesmo na crise da indústria fonográfica.

As interpretações apresentadas pelos brilhantes atores, jogam na tela o exato retrato do que é o ambiente de uma Universidade dos dias de hoje, e como é o jovem típico desta Geração 2.0 que foi nos apresentada no novo Milênio. Um thriller nerd dos bons.

Porém, até os mais inteligentes e criativos precisam ter cuidado para não cair nas armadilhas da nova revolução.

Afinal, “grandes poderes, trazem grandes responsabilidades…”

  

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