Pior do que estava, ficou. O semianalfabeto Tiririca vai integrar a Comissão de Educação da Câmara.

Não. Não é Piada. E os Palhaços Somos Todos Nós.

 

Caminhando em direção ao Cursinho para o Concurso Público da Magistratura, no último sábado, deparei com uma notícia, o tanto quanto inusitada, estampada nos jornais da banca mais próxima:

 “O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), foi indicado pela liderança do partido para integrar a comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Segundo o líder do partido na Casa, Lincoln Portela (MG), o próprio Tiririca pediu para fazer parte da comissão. A indicação foi oficializada pelo partido nesta sexta-feira (25).”

  Sinceramente, achei que aquela notícia tratava-se de uma piada muito criativa. Grande engano.

Segundo os mesmos Jornais, o fato de ser humorista credenciou o deputado-palhaço ao posto:

“Ele é um palhaço de grande experiência, com certeza vai contribuir com projetos e com suas propostas na área cultural”, afirmou o líder do PR.

  Deputado federal mais votado do Brasil, com 1,3 milhão de votos, Tiririca chegou a ter a diplomação ameaçada por denúncia do Ministério Público por suspeita de falsificação na declaração de escolaridade apresentada à Justiça Eleitoral, o que fez com que no dia 11 de novembro do ano passado, tivesse de passar por um teste no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo para comprovar que não era analfabeto.

Durante o teste, Tiririca teve de ler o título e o subtítulo de duas páginas de um jornal paulistano. Ele também foi submetido a um ditado, extraído do livro “Justiça Eleitoral – Uma Retrospectiva”.

  Ah, sim. Tiririca quer mais e já pediu para integrar, como suplente, a de Turismo e Esportes. Romário (PSB-RJ), o vice-presidente, que se prepare.

Bem verdade que o PR tem, neste início de Mandato, se apresentado como responsável por um circo de aberrações. A liderança do Partido, por exemplo, se reuniu com os demais Partidos que formam o bloco parlamentar (PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL) para definir os comandos que faltam das comissões, onde se buscou, ainda, a indicação do Deputado Acelino Freitas, o ex-boxeador Popó (PRB-BA), para a Comissão de Educação e Desporto.

Todas estas coisas me fizeram parar na porta do Cursinho, antes de entrar, e pensar:

“Poxa… Acordei às 5h da manhã, em pleno sábado, para pegar um ônibus e chegar até aqui no horário do Curso, e me preparar para este Concurso Público. Afinal, uma carreira pública não é brincadeira…

Sempre fui um dos melhores alunos da classe. Dividia meu tempo de estudo com o do trabalho. Para fazer Faculdade, tinha de passar mais de 3 horas numa estrada todos os dias, já que minha casa ficava há quilômetros do meu Curso de Direito.

Sou um jovem advogado ainda aprendendo muito. Que nunca desistirá de parar de estudar…

Mas será que tudo isso vale mesmo a pena?? Afinal,  ver um palhaço de circo que mal sabe ler e escrever, sendo eleito com a maioria dos votos para ser um dos nossos Representantes Nacionais, e que ainda é escolhido para ser representante de uma Comissão de Educação e Cultura….   É desanimador…”.

Ao me sentar na cadeira de uma sala quente de um verão do Estado do Rio de Janeiro, sabendo que iria passar o sábado inteiro ali, assistindo aula de Direito Civil, me lembrei dos ‘Caminhos, com Maiakóvski’

Durante este caminho, de bela poesia, é dito assim, pelo gênio Eduardo Alves da Costa:

 “Na primeira noite eles se aproximam / roubam uma flor / do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem : / pisam as flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada./ Até que um dia / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa, / rouba-nos a luz, e, / conhecendo o nosso medo / arranca-nos a voz da garganta./ E já não dizemos nada.”

Penso que a poesia de Eduardo Alves da Costa, “No caminho, com Maiakovski”, é a materialização do que está acontecendo com o nosso País. É o retrato do quanto está natural e comum um palhaço virar Deputado, e ao mesmo tempo, nos fazer de palhaços!

Um símbolo desta naturalização de que NÓS É QUEM SOMOS OS PALHAÇOS. 

O Poeta consegue captar esse movimento, essa apatia nossa de cada dia.

É… E com relação a Educação Pública no Brasil… podemos perceber que já mataram o nosso cão.

Mas por favor, não deixem que tirem a nossa Voz!

 

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