Dilma vai para último embate no Senado diante de algozes e de seu criador

O último “Tchau, Querida”?

Em um dos capítulos derradeiros do processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff vai depor nesta segunda-feira, 29 de agosto, ao Senado, a partir das 9 horas, sob clima de tensão. Defensores do impedimento e apoiadores da petista passaram os últimos dias traçando estratégias para evitar que a sessão repita as cenas de baixaria que marcaram o início do julgamento na Casa.

Segundo os principais líderes de partidos que apoiam o afastamento definitivo, a ideia é tentar se ater, o máximo que for possível, a questionamentos técnicos sobre os crimes de responsabilidade pelos quais Dilma é acusada, como as pedaladas fiscais. A intenção é evitar provocações desnecessárias para impedir que Dilma pose de “vítima”.

No plenário, Dilma ficará frente a frente com adversários políticos, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi derrotado por ela nas eleições de 2014.

Além de discursar, ela terá que responder aos questionamentos dos senadores, dos advogados de defesa e acusação, e do presidente do julgamento, o ministro do STF, Ricardo Lewandowski.

Nas galerias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que idealizou a candidatura Dilma para a Presidência da República, em 2010, e foi o principal cabo eleitoral da petista nas duas disputas pelo Planalto, já tem lugar reservado. Ex-ministros de Dilma também estarão lá. O cantor e compositor Chico Buarque também foi convidado.

Movimentos sociais convocaram uma caminhada do Palácio do Alvorada, residência da presidente afastada, à praça dos Três Poderes. Dilma será recebida com flores pelos apoiadores na chegada ao Senado.

No domingo (28), artistas e intelectuais brasileiros lançaram uma carta contra o impeachment da presidente.

Pontuada por citação do ator Wagner Moura, a manifestação descreve o momento como um dos mais dramáticos da história do Brasil.

Como será a sessão:

  • Dilma terá 30 minutos para fazer um pronunciamento, mas ela não será interrompida se estourar esse tempo.
  • Em seguida, todos os senadores poderão fazer perguntas e terão até cinco minutos para isso.
  • A presidente afastada não terá o tempo da resposta limitado e os senadores não terão direito à réplica sobre a resposta da presidente.
  • Além dos senadores, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, e os advogados de acusação e defesa também poderão fazer perguntas a Dilma.
  • A previsão é que o interrogatório de Dilma dure todo o dia.

Vale ressaltar que Dilma não é acusada de corrupção, como afirma muitos de seus defensores. Ela será julgada por má administração.

Outro ponto a ser esclarecido é que apesar dela ter sido eleita pela maioria dos votos válidos nas eleições de 2014, isso não significa que ela, após isso, pode fazer o que quiser. As leis da Administração pública servem para serem cumpridas e foram criadas justamente pela democracia.

  

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