COMO SURGIU A DETECTIVE COMICS: A ORIGEM e o RENASCIMENTO DC – Edições 1, 2, 3 e 4

Uma análise histórica da origem da Editora das Lendas, a DC Comics,  e das primeiras 4 edições da série Detective Comics em Renascimento DC.

1934 – O INÍCIO DA DC COMICS

O mundo vivenciava uma Grande depressão. A humanidade ainda buscava a sua reconstrução após a primeira guerra mundial.  A sociedade vivenciava uma crise de paradigmas, buscando os seus valores, onde quer que eles estivessem.

Nesse panorama, uma nova indústria foi criada: o mercado de histórias em quadrinhos.

Assim, Em meados de 1934, a Editora National Allied Publications foi fundada sob a batuta de Major Malcolm Wheeler-Nicholson, com a publicação de More Fun Comics número 1.

Foi ela que trouxe a primeira revista em quadrinhos originais do mundo, com o formato tabloide.

O nome pode parecer estranho pra você. Mas essa companhia se referia àquela que posteriormente ficou conhecida como DC Comics.

Março de 1937:

Um ano antes da primeira HQ de Super Herói da humanidade ser lançada (Action Comics), foi publicada a revista Detective Comics, trazendo um mix de histórias policiais detetivescas, um gênero muito popular na época.

A história de capa foi sobre o detetive Cyril Speed, que investigava um caso em que chineses eram encontrados mortos em uma praia.

Nesse contexto, o detetive descobre que um traficante de pessoas estava jogando os doentes ao mar, por não conseguir vendê-los.

E foi com essa história que a Editora das Lendas se lançou ao mundo, batizando-se com as iniciais que se misturaram ao próprio nome daquela revista:  D de Detective e C de Comics. Ou seja, de fato, as iniciais da empresa se referem ao título de Detective Comics.

Naturalmente, era de se imaginar que a história de um vilão chinês que traficava pessoas e que as jogava no mar, não iria ser rentável.

No entanto, inacreditavelmente, aquela história que no seu lançamento custava apenas 10 centavos, hoje, vale em torno de 550 mil dólares.

E foi nesse embalo, marcado pelo sucesso público em meio a um duro período de Grande Depressão, que o mais notável personagem da revista surgiu:

Em maio de 1939, no número 27 de Detective Comics, Bob Kane e Bill Finger lançaram The Bat-Man.

 A estreia do Homem Morcego foi um sucesso! Mesmo que fantasiado, aquele personagem também tinha as suas aventuras voltadas para o gênero policial. Mas o mundo estava precisando de heróis incomuns; daí, o seu lado heroico passou a ser intensamente explorado.

Além disso, o fato dele não ter nenhum poder sobre humano, foi a cereja do bolo para a aceitação pública.

O personagem se tornou a estrela principal da revista, quiçá de toda a DC Comics, sendo que suas páginas passaram a ser ocupadas apenas por aventuras do universo de Gotham City.

Detective Comics se tornou um sucesso de vendas assim como foi Action Comics. Estava formada a dobradinha da nova National Comic – A DC Comics!

Após isso, Detective Comics chegou a expandir as suas páginas para comportar histórias de outros personagens que não o Batman… Apesar de muitos deles terem surgido de suas aventuras, (como é o caso das histórias solo de Robin, Batgirl, e Ajax).

Essa introdução é essencial para celebrarmos a importância dessa obra no mercado de Quadrinhos.  Podemos dizer que, assim como o que aconteceu com Action Comics, tudo o que vemos hoje veio a partir dela.

E a Era Moderna reconhece isso. Tanto é que, com o lançamento de Rebirth em 2016, a Editora das Lendas voltou com a numeração original da revista, atingindo a edição #934, sendo assim uma das mais rentáveis e longevas de todo o mercado de quadrinhos mundial.

Aliás, Renascimento foi um presente! Uma joia preciosa principalmente para nós brasileiros, tendo em vista que, pela primeira vez, durante esses mais de 75 anos de existência, tivemos uma publicação com o título Detective Comics aqui nas terras tupiniquins.

A Panini trouxe esse título em revistas bastante caprichadas, acompanhando fielmente as publicações originais.

Neste primeiro arco após a retomada, temos uma história que traz um apanhado bastante consistente de tudo o que foi apresentado dos Novos 52 até aqui. Isso é muito bom, situa desde os leitores novos até aqueles que estavam por dentro de todos os acontecimentos.

Então, o roteirista James Tynion IV apresenta através de velhos rostos e da velha dinâmica,  uma nova forma de trazer um Batman que não está totalmente preparado para combater a ameaça que está se erguendo por trás das cortinas.

Em “A Ascensão dos Homens-Morcego”, arco que se conclui na revista de número 4 aqui no Brasil,   estamos diante de uma “nova bat família”,  convocada pelo Cruzado Encapuzado para ajudá-los nessa empreitada.

E é aí que temos o melhor de Detective Comics.

Confesso que nunca fui muito fã de ver o Batman agindo em equipe. Mas assim como em Batman Eterno (que também tem o dedo de Tynio IV) essa aqui é uma história que traz o melhor de uma equipe: a diversidade, abordando as peculiaridades de cada membro dessa família; que como toda família, tem sempre os seus problemas de convivência, e ao mesmo tempo, a necessidade de estarem juntos para combater o inimigo em comum.

Aqui são recrutados o Robin Vermelho (Tim Drake), a Salteadora (Stephanie Brown), a Órfã (Cassandra Cain), e até mesmo o Cara de Barro! Sim! O Batman decidiu dar uma chance para o vilão se redimir, e tudo é feito com bastante contexto, sem jogar nas páginas circunstâncias que não tenham motivação.

E olha que aqui, todos devem seguir as ordens não de um líder tradicional, como o Cavaleiro das Trevas, mas as de uma personagem incrível que nunca tinha ganhado o merecido destaque até então; mas que aqui, está sendo abordada como nunca: a Batwoman (Kate Kane).

Existem outros personagens envolvidos nessa trama. Naturalmente que não vou contar quais são, pra não estragar as surpresas da leitura.  Mas impressiona como o roteiro é construído de forma tão redondinha, mesmo que possua tantos personagens se relacionando entre si.

Tynio IV não se perde e nos traz novas surpresas a cada página.

A narrativa da história é bem simples e rápida, com várias cenas de ação bem construídas que além de serem divertidas,  também servem para apresentar rapidamente todos os personagens que compõe a nova bat-equipe, preparando o terreno para o arco seguinte.

A equipe artística também realiza um trabalho excepcional do começo ao fim. Há algumas mudanças no grupo de desenhistas ao longo do arco, mas nada que faça com que a qualidade da arte caia.

Aliás, a arte da HQ fica por conta do brasileiro Eddy Barrows, que faz um trabalho bem sombrio e que combina muito com as histórias do Homem-Morcego.

A revista agrada muito os fãs mais nostálgicos, como eu, por nos trazer elementos que há muito não víamos (como por exemplo, Tim Drake e Stephanie Brown trabalhando juntos).

 E ainda entrega uma ótima história, com um arco que se completa e ainda nos presenteia com novas reviravoltas que estão por vir.

Essas edições simbolizam com maestria a importância do título Detective Comics no mercado de quadrinhos. E que bom que ele foi retomado em alto estilo!

Portanto, não deixem de conferir essas revistas históricas! Vamos continuar resenhando essas histórias de Renascimento, buscando celebrar a Nona Arte!

Viva os Quadrinhos!

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